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Reflexão #01 – Amizades não duram para sempre

Quem nunca ouviu o ditado “namoros acabam, mas amizades são para sempre”? Bom, eu já ouvi muito… De várias pessoas e em vários momentos diferentes. E por muitos anos acreditei nisso.

Não, não estou dizendo que amizades não são para sempre e muito menos que namoros não acabam. E antes que me julguem, também não sou aquela pessoa rancorosa que perdeu amigos quando começou a namorar.

Eu considero a amizade uma das mais belas coisas que existem. É simplesmente genuíno amar alguém que não faz parte da sua família, que é presente porque quer, mas também não possui nenhum tipo de relação mais íntima contigo. É bom ter com quem contar na hora da tristeza, das alegrias e, principalmente, quando só quer conversar numa boa sem hora para ir dormir. 

No entanto, há uma romantização das relações pessoais que chamamos de amizades. Como se amigos fossem serem celestiais, ou simplesmente, não pensando neles como seres humanos falhos. 

Namoros acabam… E amizades também!

Na adolescência, eu acreditava piamente que minhas melhores amigas seriam para sempre. Mesmo quando não tínhamos mais nada a ver uma com a outra, continuávamos insistindo em uma relação falha e sem futuro.

Como resultado, tivemos que nos afastar de uma forma abrupta para seguir outros caminhos — o que não deveria ser necessário, bastava uma distância amigável de “colegas”.

Uma amizade, antes de qualquer coisa, também é um relacionamento. Envolve amor, respeito e carinho. Você namoraria com quem te trata mal? Com quem te ignora? Que só vai até você quando precisa de algo? Se sim, esse relacionamento é bem abusivo, né? 

Agora, me diz uma coisa. É diferente com amizade? O que muda?

Pois é. Nada muda! 

Continua sendo um relacionamento, uma troca. 

E acontece que, uma hora ou outra, essa troca deixa de fazer sentido pra você. Pra pessoa. Ou talvez pras duas ao mesmo tempo. 

O luto de quando perdemos uma amizade

Você já ouviu falar de luto após término de relacionamento?

Bom, basicamente esse luto acontece quando damos um ponto final a uma relação, longa ou não, e deixamos de falar com a pessoa, de tê-la no nosso dia a dia e até mesmo de vê-la. É exatamente como Mia, protagonista do meu livro “Vertigo”, descreve:

Era doloroso demais terminar um relacionamento. Qualquer um deles; até mesmo os que não havia mais sentimento. Sofria por dias até me livrar do que chamava de luto inicial. Não era como perder alguém para morte, mas em alguns casos, parecia que a pessoa estava morta. Ela deixou de ser quem era: a pessoa por quem me apaixonei. E então, seus rastros eram apagados de minha vida.”

Saiba mais sobre Vertigo.

Com amizades não é muito diferente. Sentimos falta da pessoa na hora que lembramos dela, das mensagens trocadas de madrugada, dos áudios intermináveis e das inúmeras vezes que ajudamos e fomos ajudados.

Por isso, passamos por esse luto maldito, que nos rasga de dentro para fora — mesmo não gostando mais da pessoa, afinal, ela ocupava um lugar na sua vida.

Uma das maneiras mais fáceis de nos recuperarmos é colocar outra pessoa no espaço vazio, mas será que vale a pena? Bom, se não puro e simplesmente para não ficar carente, vale. Você não estará machucando ninguém, e sim fortalecendo os laços com uma pessoa que pode vir a ser sempre presente e um bom amigo. Nunca se sabe.

Eu já sofri com isso muitas vezes. Na infância, adolescência e agora no início da vida adulta. Em algumas dessas perdas, senti como se nunca fosse encontrar alguém tão parecido comigo, mas adivinhem só: encontrei não só uma, como várias amigas e amigos incríveis que me mostraram um mundo de possibilidades. 

Para mim, o que mais dói é quando a amizade acaba sem explicações. Num dia você tinha um amigo legal e para todos os momentos, e no outro, a pessoa simplesmente para de te responder e finge que nunca foram amigos. AH! Isso é comum. Não é uma atitude somente de crianças e adolescentes, antes que comentem…

Há uma explicação na falta de explicação

Eu acredito que as únicas explicações para atitudes como essa é a falta de interesse ou ingratidão. Se a pessoa realmente valorizasse a amizade, teria partido de outra forma. Assim como num relacionamento amoroso perto do fim, haveriam brigas, desencontros e palavras não ditas. 

Ninguém gosta de viver com dúvidas. Dessa forma, sempre faço um exercício comigo mesma antes de lidar com assuntos que possam prejudicar ou magoar outras pessoas: eu gostaria que fizessem isso comigo? se não, por quê?

Com esse simples questionamento, consigo me colocar no lugar do outro. Até mesmo se estou brava, triste ou querendo jogar tudo para o alto. O peso na consciência em estar tirando a noite de sono de alguém continuaria sendo meu. Na dúvida, faço o que for melhor para a situação. Só gostaria que mais pessoas pensassem da mesma forma. Teríamos menos maldade no mundo.

Fazendo novas amizades

Após o término de uma amizade, ainda mais com alguém que a conexão era forte, entramos em uma vibe de não querer confiar em mais ninguém. Ou, então, em uma de fazer amizade com todo mundo na tentativa de curar aquela decepção.

Sendo qualquer um dos casos, não há limites para amar. Há milhares de pessoas no mundo, e tenho certeza que podemos achar pelo menos uma meia dúzia que tenha gostos parecidos com os nossos e que o sentimento seja recíproco. Lembra do que eu falei sobre relacionamentos abusivos. Eles existem e estão por todo o lado.

Como tudo na vida, há coisas que só dependem de nós para acontecer. Uma amizade só será ad eternum (para sempre em latim, pra ser chique) se as pessoas envolvidas assim quiserem. 

Mas para isso, é preciso que o respeito, amor e carinho sejam critérios para dar certo. Não há nada mais frustrante do que tratar alguém com carinho e receber um soco na cara em troca — palavras podem doer muito mais que uma dor física, e veja, o silêncio também.

E para finalizar, preciso dizer que me sinto muito mais feliz ao colocar tudo isso para fora. Fazia tempos que via a necessidade de falar sobre esse assunto que já me machucou, e ainda machuca muito. 

Sendo bem sincera, talvez tenha escrito para mim mesma.

Com carinho, Marie.

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Rhuana
Rhuana
10 months ago

Concordo Mari! Muito bom poder escrever tudo o que sente, não é?

Gisele Silveira Tavares
10 months ago

Adorei amiga! o Blog tá lindo. Coloca um botão de subscribe \o/
To tentando criar meu blog também
Parabéns

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